O Século dos Imbecis: uma fábula sobre a estupidez contemporânea
Entre humor, ironia e crítica social, Valter Hugo Mãe observa um mundo que parece desaprender a pensar.
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Em O Século dos Imbecis, Valter Hugo Mãe constrói uma fábula satírica sobre um tempo em que nunca tivemos tanto acesso à informação e, ainda assim, parecemos cada vez menos dispostos ao conhecimento. Publicado em 2026, o romance acompanha Agilulfo, um marquês que vive no alto de uma montanha e sofre de uma condição tão absurda quanto irresistivelmente simbólica: quanto mais desce em direção à pequena vila de Malandrinha, mais perde a inteligência; quando volta a subir, recupera pouco a pouco a lucidez. A partir dessa ideia quase caricatural, Valter Hugo Mãe cria uma comunidade povoada por figuras movidas por ambição, inveja, desejo, oportunismo, fé, ressentimento e solidariedade, transformando o cotidiano do vilarejo num espelho deformado e justamente por isso bastante reconhecível da sociedade contemporânea. O humor é constante, às vezes escancarado, outras vezes desconfortável, porque por trás da graça está uma crítica dura à celebração pública da ignorância, à transformação da estupidez em espetáculo e à facilidade com que opiniões passam a ocupar o lugar do pensamento. Há também espaço para questões recorrentes na obra do autor, como religião, poder, desigualdade, fragilidade humana e o papel das mulheres diante de estruturas sociais que frequentemente procuram silenciá-las; aqui, são justamente as personagens femininas que ganham importância crescente na transformação da comunidade e de seus destinos. A prosa de Valter Hugo Mãe continua singular, marcada por invenção linguística, ironia, ritmo e uma capacidade muito própria de alternar o grotesco e o poético sem separar completamente uma coisa da outra. É um romance que aceita o exagero, o absurdo e certa lógica de conto moral para falar de problemas extremamente concretos, e funciona melhor quando o leitor entra nesse jogo sem procurar realismo em cada acontecimento. Por trás da aparente simplicidade da metáfora da montanha existe uma pergunta incômoda que atravessa todo o livro: se o conhecimento está cada vez mais disponível, por que continuamos tão seduzidos pela ignorância? O Século dos Imbecis é especialmente recomendado para leitores que gostam de sátira social, alegorias, humor ácido e romances capazes de transformar questões políticas, morais e filosóficas em literatura sem abandonar o prazer da narrativa; para quem já aprecia Valter Hugo Mãe, encontrará aqui muitas de suas obsessões em registro mais abertamente cômico e provocador, e para quem nunca o leu, este pode ser um encontro estranho no começo, mas bastante revelador sobre um escritor que sabe fazer do absurdo uma maneira de observar aquilo que preferimos não reconhecer em nós mesmos.
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O Século dos Imbecis
Em O século dos imbecis , o premiado escritor português Valter Hugo Mãe constrói uma fábula tão divertida quanto inquietante sobre o mundo em que vivemos. Entre o riso e a reflexão, o autor investiga as contradições humanas e questiona quais valores ainda podem nos salvar em tempos de excessos, intolerância e desorientação.
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