Eu disse não! Uma trincheira antigolpista: Os bastidores da crise de 2022

Carlos Baptista Junior relata os bastidores das pressões sobre as Forças Armadas.

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Eu disse não! Uma trincheira antigolpista: Os bastidores da crise de 2022

Eu disse não! Uma trincheira antigolpista, de Carlos de Almeida Baptista Junior, chega com o peso de um testemunho que ocupa um lugar incomum na bibliografia sobre a crise democrática brasileira dos últimos anos: em vez de observar os acontecimentos de fora, o autor fala a partir da cúpula das Forças Armadas, onde decisões institucionais, pressões políticas e lealdades pessoais se cruzaram durante o governo Jair Bolsonaro e, sobretudo, no turbulento período eleitoral de 2022. Ex-comandante da Aeronáutica, Baptista Junior reconstrói em primeira pessoa episódios que vão da pandemia e da crise militar de 2021 às tensões em torno das urnas, das eleições presidenciais e da transição de poder, oferecendo ao leitor a perspectiva de alguém que esteve próximo dos espaços em que uma ruptura institucional deixou de ser apenas retórica para se transformar em possibilidade concreta. O interesse do livro está justamente nessa posição privilegiada do narrador: mais do que uma análise acadêmica ou uma investigação jornalística tradicional, trata-se de uma memória política e militar, marcada pela intenção de registrar o que o autor viu, ouviu e decidiu num momento em que os limites constitucionais das Forças Armadas foram colocados sob forte pressão. Isso também exige uma leitura atenta, porque todo relato autobiográfico seleciona acontecimentos, interpreta gestos e organiza lembranças a partir do olhar de quem narra; a importância documental da obra, portanto, não dispensa o confronto futuro com outros testemunhos, documentos e investigações sobre o período. Ainda assim, ao trazer para o centro da narrativa as disputas internas entre comandantes, autoridades políticas e setores militares, *Eu disse não!* promete acrescentar uma peça relevante à compreensão de como instituições brasileiras reagiram ao ambiente de radicalização que antecedeu o 8 de janeiro de 2023. É uma leitura especialmente indicada para quem se interessa por história política recente, democracia, relações entre civis e militares e bastidores do poder, mas também para leitores que procuram compreender como grandes crises institucionais são vividas por aqueles que precisam tomar decisões enquanto os acontecimentos ainda estão em curso quando as consequências não estão claras, as pressões vêm de vários lados e dizer simplesmente “não” pode adquirir um significado histórico muito maior do que a palavra sugere.

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Eu disse não! - Uma trincheira antigolpista

Eu disse não! - Uma trincheira antigolpista

Em 2022, Carlos de Almeida Baptista Junior, comandante da Aeronáutica, resistiu às pressões para que os militares aderissem a uma ruptura institucional. Esta é a primeira vez que um integrante da cúpula militar daquele período relata, em livro, os bastidores da crise que ameaçou a democracia brasileira.

Em 2021 e 2022, o Brasil viveu momentos em que a continuidade da democracia dependeu, em parte, de decisões tomadas dentro dos quartéis. Entre abril de 2021 e janeiro de 2023 – período mais tenso da relação entre Bolsonaro e a cúpula militar –, o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior estava lá: como comandante da Aeronáutica, acompanhou de perto as pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma tentativa de ruptura institucional, que teria seu desfecho nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, após a derrota do então presidente nas urnas.

Neste livro, Baptista Junior narra em primeira pessoa um período que remonta ao início do governo Bolsonaro, em 2019, atravessa a gestão da pandemia de Covid-19 e desemboca na crise militar de 2021, quando Bolsonaro trocou o ministro da Defesa – substituido por Braga Netto –, os três comandantes das Forças e o chefe do Estado-Maior Conjunto. Já no período eleitoral de 2022, o relato passa pela pressão sobre o sistema eleitoral e pelas reuniões de alta tensão da disputa presidencial, até os meses decisivos entre os dois turnos e a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

Piloto de Caça com mais de quatro mil e quinhentas horas de voo e carreira construída desde 1975 na Força Aérea Brasileira, Baptista Junior dá um testemunho raro, sincero e corajoso sobre a real espessura da crise institucional brasileira e sobre o que, afinal, fez com que a ruptura não se concretizasse.

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